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beabá do mercado
Nesta edição especial, com coautoria do Prof. Ricardo Rangel, falaremos sobre o ROE, ROIC e a geração de valor.
mestre e criador de conteúdo

(Imagem: Prof. Ricardo Rangel | Elaboração: Minoritários)
Com quase 30 de carreira, a edição de hoje traz como coautor o mestre em Finanças Corporativas Professor Ricardo Rangel.
Há 3 anos, ele ingressou no LinkedIn com o objetivo de levar a seus seguidores conhecimentos sobre finanças corporativas conciliando:
rigor técnico a altura das melhores Escolas de Negócio do país; e
uma abordagem o mais simples e didática possível.
De lá para cá, foram centenas de posts e mais de 34 mil seguidores alcançados, o que o leva a ser atualmente uma das figuras de maior referência sobre Finanças Corporativas na rede.
Assim, a edição de hoje é apenas uma degustação. Para conhecer mais sobre a trajetória do nosso mestre e aproveitar todo o conhecimento disponível em suas publicações, clique aqui e o acompanhe no LinkedIn.
Sem mais delongas, vamos à aula.
por que importa?
Você já ouviu e sempre vê nas notícias de divulgação dos resultados da empresa. Provavelmente sabe que quanto maiores os valores, melhor. Mas compreender profundamente o conceito do ROE e ROIC já são outros quinhentos.
Primeiramente, é necessário dizer que ambos estão intrinsicamente relacionados à geração de valor para o acionista.
Segundamente, vale relembrar o que sempre comentamos por aqui:
No curto prazo, o valor de mercado das empresa reage, por vezes irracionalmente, às notícias, especulações e eventos externos;
No longo prazo, ele tende a acompanhar a geração de valor para o acionista. Sendo ela positiva, cotação para cima. Sendo negativa, cotação para baixo.
Dito isso, entender e reconhecer a importância do ROE e do ROIC, como principais indicadores de rentabilidade de um negócio, é essencial para todo investidor.
💸 Geração de valor:
Quando um negócio “gera valor” ele está trabalhando para que seus acionistas obtenham melhores resultados financeiros sobre o investimento feito.
Esta geração de valor pode se dar pela valorização de suas ações no mercado, pagamento de dividendos, bonificações entre outros.
Seria o equivalente a dizer que a empresa está se esforçando para tornar o investimento mais lucrativo e atrativo para os investidores.
o ROIC
Começaremos pelo ROIC.
O Return on Invested Capital (ou Retorno sobre o Capital Investido) é um indicador que exprime a rentabilidade sobre o capital investido, ou seja, o retorno econômico da empresa.
Esse indicador mede a eficiência e produtividade dos ativos OPERACIONAIS do negócio, e seu cálculo depende de informações obtidas tanto na DRE (Demonstração de Resultados) quanto no BP (Balanço Patrimonial):
na DRE: obtemos o Lucro Operacional (EBIT), para posterior cálculo do NOPAT (Net Operating Profit After Taxes, ou Lucro Operacional Líquido de Impostos);
no BP: obtemos o Capital Investido Médio, que pode ser obtido tanto no lado do Passivo quanto no lado do Ativo, como detalharemos na sequência.
De posse destas duas informações, chegamos à formulação básica do ROIC:
ROIC = NOPAT / Capital Investido Médio
ou
ROIC = EBIT * (1 - Impostos) / Capital Investido Médio
A interpretação é simples: um ROIC baixo reflete uma situação onde os ativos operacionais estão gerando pouco retorno (impacto negativo no Lucro Operacional), podendo indicar que algo precisa ser feito em relação e eles. Neste caso, pode ser necessário alienar/desmobilizar determinado ativo ou substituí-lo por novos ou mais rentáveis.
O cálculo do Capital Investido Médio pode ser feito de duas maneiras:
Pelo lado do passivo, basta somar o valor do Patrimônio Líquido (PL) à Dívida Bruta da empresa (empréstimos, financiamentos e debêntures).
Capital Investido Médio = Patrimônio Líquido + Dívida Bruta
Pelo lado do ativo, precisaríamos somar o Capital de Giro Operacional Líquido (NCG) ao Ativo Circulante (ANC):
Capital Investido Médio = Capital de Giro Operacional Líquido + Ativo Circulante
Se pareceu confuso, não se preocupe. Em breve teremos uma edição dedicada à leitura e interpretação de Balanços Patrimoniais, assim como fizemos para a DRE.
o cálculo do NOPAT
Mais uma sigla para nosso glossário de Finanças Corporativas: NOPAT.
Essencial para o cálculo do ROIC, o NOPAT pode ser traduzido como o Lucro Operacional Líquido de Impostos.
Mais simples do que parece: seu valor pode ser obtido facilmente a partir das informações constantes na DRE. Preparamos abaixo uma tabela resumo:
Receita Líquida | |
|---|---|
(-) | Custos Operacionais |
= | Lucro Bruto |
(-) | Despesas Operacionais |
= | |
(-) | Depreciação & Amortização |
= | EBIT |
(-) | Impostos |
= | NOPAT |
EVA: geração de valor a partir do ROIC
De posse do ROIC, estamos aptos a usufruir dele para medir a geração de valor da empresa.
Mas como fazemos isso? O que é um ROIC bom? O que é um ROIC ruim?
Para medirmos se um negócio ou empresa está criando valor, precisamos comparar o ROIC com o Custo Médio Ponderado dos Capitais, ou WACC.
Ficou confuso? Vamos por partes:
Uma vez que o ROIC mede a rentabilidade sobre o capital investido, precisamos compará-lo com o custo deste capital;
Não entraremos em detalhe, nesta edição, no cálculo do WACC. Porém, de forma simplificada, enxergue como a taxa que mede o custo médio que uma empresa paga para financiar suas operações, combinando o custo da dívida (juros) e o custo do capital próprio (retorno esperado pelos acionistas), ponderados pela participação de cada fonte no total.
Agora que ficou mais claro, fica fácil interpretar a geração de valor:
⬆️ Se ROIC > WACC → o negócio está criando valor
⬇️ Se ROIC < WACC → o negócio está destruindo valor
Além disso, é possível calcular efetivamente este valor gerado, e não somente interpretar se ele está sendo criado ou destruído. Para isso, utilizamos o EVA®:
EVA®= (ROIC - WACC) x Capital Investido Médio
Note que a primeira parte da fórmula é exatamente a diferença entre as duas taxas mencionadas (ROIC e WACC). Assim, para haver criação de valor pela empresa, é necessário que o resultado desta expressão seja positivo.
e o tal do ROE?
O ROE ou Return on Equity ou (Retorno sobre o Capital) é um indicador que mede a rentabilidade exclusivamente do capital investido na empresa pelos acionistas.
Para calcularmos o ROE, também precisamos de informações da DRE e do BP:
na DRE: obtemos o Lucro Líquido (se tiver dúvida na obtenção do Lucro Líquido, recomendamos que retorne à edição em que destrinchamos a DRE);
no BP: obtemos o Capital Investido pelo Acionista, representado, neste caso, pelo Patrimônio Líquido.
E agora? Agora basta dividir o Lucro Líquido pelo Patrimônio Líquido Médio para que cheguemos ao ROE:
ROE = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido Médio
Em uma situação de alavancagem financeira, o ROE da empresa é impactado positivamente, haja vista que o retorno gerado pela dívida se mostra superior ao custo da dívida.
Ou seja, quanto maior a alavancagem, maior tende a ser o ROE.
Contudo, há de se ressaltar que há um limite para a alavancagem. Esse limite ocorre quando o custo financeiro cresce por maior endividamento, anulando o benefício fiscal e, consequentemente, aumentando o custo do capital e reduzindo o valor da empresa.
VEA: geração de valor a partir do ROE
Assim como acontece com o ROIC, alguns autores consideram que o ROE, quando comparado com o custo de oportunidade do acionista, ou custo do capital próprio (Ke), pode demonstrar a capacidade da empresa em agregar valor a partir dos recursos do acionista.
Isso significa que:
⬆️ Se ROE > Custo de Oportunidade (ou Ke) → o negócio está criando valor para o acionista
⬇️ Se ROE < Custo de Oportunidade (ou Ke) → o negócio está destruindo valor para o acionista
Podemos também calcular o valor gerado (ou destruído) em uma formulação similar à utilizada para no cálculo do EVA com o ROIC. Neste caso, chamamos de VEA:
VEA = (ROE - Ke) x Patrimônio Líquido Médio
encerramento
Depois dessa aula, esperamos que você esteja preparado(a) para as provas. E como esperamos que todos gabaritem as questões sobre os conceitos de hoje, preparamos uma tabela que resume os principais pontos discutidos por aqui.
⚠️ Aproveite para tirar um print e compartilhar com aquele amigo(a) que ainda diz que Finanças Corporativas é muito complicado. Vamos provar para ele(a) que não é.
ROIC | ROE | |
|---|---|---|
Indicador que mede a | Rentabilidade Operacional | Rentabilidade Operacional e Não Operacional |
Por isso utiliza como numerador o | Lucro Operacional (EBIT) | Lucro Líquido |
A rentabilidade medida se aplica aos | Acionistas e Credores | Acionistas |
Por isso utiliza como denominador o | Capital Próprio (Patrimônio Líquido) e o de Terceiros (Dívida Bruta) | Capital Próprio (Patrimônio Líquido) |
A geração de valor pode ser mensurada pelo | EVA® | VEA |
Há geração de valor quando | ROIC > WACC | ROE > Ke |
Há destruição de valor quando | ROIC < WACC | ROE < Ke |
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