não é só um ticker

Na edição de hoje, conheça um pouco mais sobre a Klabin S/A.

Quantas toneladas de papel são necessárias para se escrever 125 anos de história?

(Imagem: Klabin S/A)

Em poucas palavras

Fundada em 1899, a Klabin é a maior produtora e exportadora de papéis para embalagens do Brasil. A empresa possui atualmente 23 unidades fabris no Brasil e 01 na terra dos hermanos.

A Klabin é negociada na Bolsa de Valores (B3) sob os tickers KLBN3, KLBN4 e KLBN11.

São cerca de 25 mil colaboradores trabalhando neste colosso do mercado de papel e celulose, com capacidade para produzir até 3 milhões de toneladas de papel por ano e 1,6 milhões de toneladas de celulose.

A celulose é uma fibra natural encontrada principalmente em plantas e árvores, e é o principal componente das paredes celulares das plantas. Em resumo, ela é como o "esqueleto" que dá estrutura às plantas.

No setor industrial, a celulose é extraída da madeira e transformada em uma polpa que pode ser usada para fazer diversos produtos. Ela é a principal matéria prima do papel, mas também é usada em produtos como tecidos, filtros, embalagens, fraldas e até mesmo em alimentos e medicamentos (como um agente que ajuda a dar textura).

Show me the money

Fez comprinhas online? A Klabin vai estar lá. Caiu o VR e pediu um delivery? A Klabin vai estar lá. Vai consumir? É provável que a Klabin esteja lá.

No último trimestre (3T24), a Klabin reportou uma receita líquida total de quase R$ 5 bilhões, dos quais 32% foram originados em vendas para o mercado externo.

Segmentando a receita por produtos, temos:

  • 🌲 Celulose: 34%

  • 🛍️ Embalagens: 29%

  • 📄 Papeis cartões: 22%

  • 📦 Containerboard (papelão ondulado): 15%

(Imagem: Klabin S/A)

Zoom out: A celulose da Klabin é produzida e fornecida em três tipos:

Celulose de fibra curta: Vem de árvores como o eucalipto. Produz um papel mais suave e liso, ideal para uso em produtos de higiene e papéis de impressão.

Celulose de fibra longa: Obtida de árvores como o pinus. Dá mais resistência ao papel, sendo ótima para papéis de embalagem.

Celulose fluff: Um tipo de celulose que forma uma fibra mais macia e absorvente, muito usada em fraldas, absorventes e produtos de higiene.

Clientes & Concorrentes

A Klabin tem como principais clientes grandes empresas de diversos setores, especialmente aquelas que precisam de embalagens para produtos alimentícios, bebidas, higiene, limpeza e e-commerce.

Seus principais concorrentes no Brasil são a Suzano (SUZB3), que é outro colosso no setor de papel e celulose, e a Irani (RANI3), assista aqui um vídeo comparativo. Além disso, há também os concorrentes internacionais, que detém uma parte do market share no país.

Alguns dos principais clientes:

  • Ambev (ABEV3)

  • Coca Cola (COCA34)

  • BRF (BRFS3)

  • Mercado Livre (MELI34)

Principais concorrentes:

  • Suzano (SUZB3)

  • Irani (RANI3)

  • WestRock (W1RK34)

  • International Paper (I1PC34)

Raio-x dos números

E toda esta grandiosidade se traduz em lucros?

(Imagem: Resultados Klabin 3T24 - Elaboração: Minoritários)

No último trimestre, a empresa reportou um lucro líquido de R$ 729 milhões (margem líquida de 15%), totalizando R$ 1,8 bilhões nos últimos 12 meses. Considerando o valor de mercado da empresa atual (~R$ 27,2 bilhões) , a empresa está sendo negociada a aproximadamente 15x seus lucros anuais.

Em outras palavras: levariam cerca de 15 anos para ela retornar, na forma de lucro, o investimento do acionista que investisse nela atualmente.

Beleza, mas e aí?

De fato, não faz muito sentido olharmos apenas um único resultado trimestral e nem mesmo só os últimos 12 meses para avaliarmos a capacidade de geração de valor de uma empresa com 125 anos de existência. Assim, vamos um pouco mais longe.

Em grandes números, de 2011 para cá, a Klabin:

  • Cresceu sua receita a uma taxa média anual de 11,95% ao ano;

  • Multiplicou seu lucro por 10x, saindo de cerca de R$ 180 milhões em 2011 pros atuais R$ 1,8 bi. Não é para qualquer um.

(Imagem: Minoritários)

O CAGR (Compound Annual Growth Rate), ou Taxa de Crescimento Anual Composta, é uma métrica que representa o crescimento médio anual de uma variável ou parâmetro ao longo de um período específico. Ela é geralmente utilizada para mensurar a variação de indicadores financeiro ao longo do tempo. Portanto, por exemplo, quando mencionamos um CAGR de 10%, entende-se que o parâmetro em questão cresceu, na média, 10% ao ano durante o período de análise.

Porém… crescer custa caro. E para o modelo de negócio da Klabin, investir em crescimento é essencial.

No último trimestre, a dívida bruta total da empresa alcançou a cifra de R$ 37 bilhões. Considerando o valor disponível em caixa (~R$ 7,5 bilhões), a dívida líquida (dívida bruta menos caixa) atual é de R$ 29,5 bilhões.

(Imagem: Minoritários)

Historicamente a empresa costuma operar com uma alavancagem alta. Considerando o EBITDA dos últimos 12 meses, este índice está atualmente em 4,1x. E o que isso significa?

Significa que para quitar inteiramente sua dívida atual, a Klabin precisaria usar o valor equivalente a 4x sua geração de caixa anual.

Para a média do mercado, está é uma alavancagem considerada bastante elevada. Porém, para uma empresa com 125 anos de história, acostumada com este nível de endividamento e com uma capacidade de geração de caixa bastante considerável, vale a reconsideração e o estudo.

A alavancagem é medida pela relação Dívida Líquida sobre EBITDA.

A Divida Líquida nada mais é que a Dívida Bruta (empréstimos e financiamentos) descontada do valor disponível no caixa da empresa.

O EBITDA, por sua vez, é uma aproximação da geração de caixa da empresa, representado contabilmente pelo Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (LAJIDA).

Assim, a alavancagem mensura a capacidade de pagamento da dívida da empresa a partir da sua geração de caixa.

Afinal, vale o estudo?

Depois desta breve apresentação, vale apena se aprofundar nos estudos ou até mesmo investir em Klabin?

Compilamos abaixo algumas de nossas impressões, para que você tire suas próprias conclusões e avalie se vale ou não a pena seguir em frente com os estudos do ativo:

Critério

Impressão

Lucratividade

Exceto em 2015 e 2020, períodos em que a economia brasileira esteve em crise, de 2011 para cá a empresa apresentou lucros consistentes e crescentes.

Atratividade

Os atuais indicadores de valuation da empresa não chamam tanta atenção. Negociando a 15x lucros e mais de 2x seu valor patrimonial, não se pode dizer que a empresa é uma pechincha.

Rentabilidade

A rentabilidade sobre o patrimônio, medida pelo ROE, costuma ser alta, o que indica uma boa capacidade de geração de valor para o acionista. Já a rentabilidade sobre o capital investido, medida pelo ROIC, fechou em 11% no último trimestre, que não é um valor tão alto, considerando a atual taxa básica de juros (Selic) no Brasil.

Endividamento

A empresa encontra-se atualmente bastante alavancada (4,1x EBITDA). Entretanto, historicamente ela sempre operou em níveis elevados de alavancagem, ao mesmo passo que se mostrou uma grande geradora de caixa.

Crescimento

O crescimento consistente da empresa é notável. Tendo multiplicado seu lucro por 10x nos últimos 13 anos, acreditamos que a empresa continuará investindo em capacidade fabril e em melhorias operacionais.

Para saber mais sobre o empresa, recomendamos fortemente que você acesse o portal de Relação com Investidores da empresa, onde você encontra todas as informações oficiais divulgadas pela própria companhia.

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